Quarta-feira, 17 de Outubro de 2018
Sexta, 26 Fevereiro 2016 15:32

De escolhas e andanças

 

por Mariana Rossi

 Em agosto de 2012, fez-se mais claro para mim do que nunca que, se você teve a sorte de estudar em uma escola bacana e ter alguém preocupado com a sua educação, sua alimentação e o seu bem-estar físico e emocional, a maneira como você vive é escolha sua, ainda que não pareça. E que a ironia da existência é que as consequências filhas dessa escolha, inescapável, são inevitavelmente vividas, sofridas, por todos. A escolha é sua, e a consequência é do mundo.

A viagem, para mim, parecia interessante – umas semanas no continente africano, a trabalho, com a chance de conhecer partes do seu interior; enquanto eu me ajeitava, feliz, na poltrona do avião, pensava na sorte que eu tinha de ter a oportunidade de conhecer, aqui e ali, o mundo mais além do meu quintal. Sim, algumas dúvidas já moravam em mim, e emergiam, teimosas, vira-e-mexe – terá sentido trabalhar na mineração? Será possível, realmente, contribuir para fazer as coisas de uma maneira melhor? Afinal, se é preciso que a atividade exista – e sim, do modo como vivemos atualmente ela é necessária –, então certamente uma das melhores coisas a fazer é ajudar a fazê-la bem. A única coisa é, bem, ter estômago para aguentar tudo aquilo que não se está fazendo bem, e que provavelmente levará duas ou três – ou quatro? – vidas tuas para melhorar. A coisa é engolir o fato de que, se a mineração já provoca inúmeros desafios sociais e ambientais em países nos quais há governo, há sociedade civil, há controle sobre a atividade extrativa, a situação na maioria dos países africanos é absolutamente desesperadora. E que você, garota, está fazendo parte disso.

 

Pois é. A minha sensação foi a de estar do lado errado do muro. Sim, eu sei que há muitos lados em toda história, e que maniqueísmos em geral não auxiliam o entendimento das coisas, mas foi sensação, e aí ficou – instalou-se, acampou, montou barraca e começou a preparar o churrasquinho. Em meio aos mil interesses envolvidos na atividade de extração mineral na África, e mais especialmente em meio a milhões de pessoas que são, cotidianamente, vítimas desse jogo perverso, o que a mim me interessou foi fazer parte daqueles que estão lá sem nenhum interesse que não a ajuda, pura e complexa (☺), às pessoas em situação de emergência – emergências frequentemente provocadas por aqueles interesses. 

 

Foi assim que mente e coração fizeram um motim e me mandaram, clara, a mensagem – chuta o balde e vai pro setor humanitário. Foi assim que começou minha história com os Médicos Sem Fronteiras (MSF).

OK, Mariana, bacana. Só que nada a ver com o 10 por hora.

Quê?! Para mim tem tudo a ver! 

Batangafo - RCAFoto: Mariana Rossi - Batangafo, República Centro-Africana (2013)

 

Tem a ver, diretamente, com o papel social inescapável que temos, as escolhas que fazemos, o que valorizamos, o ritmo de vida que levamos, as atividades que reforçamos, o que defendemos. Tem a ver, ainda mais diretamente, com os temas de urbanização, mobilidade, liberdade!, que estão pouco a pouco forçando-se na agenda social e política do continente africano, acotovelando-se entre os temas de segurança, desenvolvimento econômico, religião, saúde – de todos os quais já pude ver um pouco, nas andanças com MSF. Tem a ver com o paradoxo entre estilos desacelerados de vida e processos de urbanização desenfreados do qual a África é palco, e que dá sinais de todo lado – os quais podem ser vistos de um ângulo especial se você está num cantinho da República Centro-Africana, tentando oferecer ajuda médica de qualidade num hospital a 500km de qualquer outro, ou no meio da efervescente Freetown e seu 1/3 de toda sua população serra-leonesa, ajudando a administrar um centro de tratamento de Ebola.

E é por isso que, a partir de hoje, terei o prazer de escrever um pouquinho aqui no 10porhora, contando anedotas aqui e ali das experiências com MSF, buscando ajudar a conectar alguns dos fios da sustentabilidade – essa busca por equilíbrio que é, também ela e por definição, sem fronteiras. Partiu!

 

Serra LeoaSerra Leoa (2015)

  

Mariana Rossi é formada em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília.

Atualmente atua pela Médicos Sem Fronteiras em Juba, no Sudão do Sul, 

tendo realizado missões na República Centro-Africana e em Serra Leoa.

Publicado em Mundo
Segunda, 07 Abril 2014 02:28

Recados do Coração - Latinoamerica

Este recado é pra você que está apressada; é pra você que está atrasado; pra você, querida amiga, que deseja fluir; pra você, meu irmão, que está on-line, preso no engarrafamento; pra você, minha cara, que tem anseios em se libertar das amarras do motor. Este recado é para tocar fundo em seu peito. O 10porHora tem o prazer de sussurrar esta canção em seu ouvido e escutar as batidas do seu coração.

Publicado em Recados do Coração
Segunda, 09 Dezembro 2013 08:00

Recados do Coração - Encontros e Despedidas

Este recado é pra você que está apressada; é pra você que está atrasado; pra você, querida amiga, que deseja fluir; pra você, meu irmão, que está on-line, preso no engarrafamento; pra você, minha cara, que tem anseios em se libertar das amarras do motor. Este recado é para tocar fundo em seu peito. O 10porHora tem o prazer de sussurrar esta canção em seu ouvido e escutar as batidas do seu coração.

Publicado em Recados do Coração
Segunda, 21 Outubro 2013 08:00

Recados do Coração - Vapor Barato

Este recado é pra você que está apressada; é pra você que está atrasado; pra você, querida amiga, que deseja fluir; pra você, meu irmão, que está on-line, preso no engarrafamento; pra você, minha cara, que tem anseios em se libertar das amarras do motor. Este recado é para tocar fundo em seu peito. O 10porHora tem o prazer de sussurrar esta canção em seu ouvido e escutar as batidas do seu coração.

Publicado em Recados do Coração
Quarta, 25 Setembro 2013 13:30

Reto e Sinuoso

São laços, rumos
são voltas
destinos
lugares
vacilos...
lamentações!

Subi no mais alto dos montes
não era miragem
foi tão fascinante!

Cercado de vida
de mata
de pedra
sentindo o caminho
a cada girar!

Segui...
na minha toada,
reta
subida
ou descida.

Depois da beleza
mais bela paisagem
aquela figura!

Publicado em Cultura
Segunda, 16 Setembro 2013 02:39

Recados do Coração - Sá Marina

Este recado é pra você que está apressada; é pra você que está atrasado; pra você, querida amiga, que deseja fluir; pra você, meu irmão, que está on-line, preso no engarrafamento; pra você, minha cara, que tem anseios em se libertar das amarras do motor. Este recado é para tocar fundo em seu peito. O 10porHora tem o prazer de sussurrar esta canção em seu ouvido e escutar as batidas do seu coração.

Publicado em Recados do Coração
Sexta, 23 Agosto 2013 18:00

A Ponte, o violino e Vênus.

Seria apenas mais um “zumbido no pé do ouvido”se a melodia não fosse tão intrigante e sedutora quanto as fragrâncias das diversas flores das bancas de São José. Por volta das 20 horas avistei uma figura muito contrastante com a paisagem cotidiana de Recife, que por muitos apenas é colorida pelas luzes de sirenes e embalada pelas buzinas furiosas.

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Segunda, 29 Julho 2013 09:49

Caminhos de Santiago – Parte 3 de 3

Quando cheguei em Santiago mesmo, que foi na tarde do dia seguinte coincidentemente dia 1º de abril (!), havia muitas festividades na cidade e eu aproveitei como pude, molhada e carregando a bike pra cima e pra baixo, cansadíssima da viagem, desejando loucamente encontrar os meninos. Peguei o certificado de peregrina e fiquei rondando. Meu dinheiro havia acabado e não tinha como sacar ou de onde tirar, de início não me preocupei, mas foi escurecendo, não encontrava nenhum conhecido, aí fui pedir abrigo no albergue de peregrinos da cidade, eles disseram que não podiam me receber, o frio e meu desespero aumentavam.

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Foi quando Brasília começou a parecer pequena que nos encontramos. Uma coisa levou a outra e acabamos planejando uma viagem, que começaria pela Bolívia. Planejar talvez não seja a melhor palavra: decidimos por onde íamos começar, mas não até onde íamos e nem quando voltaríamos. Tínhamos apenas a certeza de que buscávamos tanto a magia das belas paisagens daqui, como também a das tantas formas de resistência que florescem por essas bandas. Sabemos bem que não somos xs primeirxs a fazer  uma viagem, sem destino certo e sem data de volta pela América do Sul. Também sabemos que não somos xs primeirxs a escrever relatos sobre ela. Mesmo assim, nos pareceu uma boa idéia compartilhar nossa experiência por essas terras, tanto com uma forma de registro, como para difundir as experiências ativistas que encontramos no nosso continente. é por meio desse compartilhar, afinal, que criamos nossas redes, que passamos a nos entender mais como parte de um processo em curso. Nosso amigo Galeano já nos disse uma vez que são muitas pequenas pessoas, fazendo muitas pequenas coisas que começam a mudar o mundo. Talvez essa viagem seja mais uma oportunidade de conhece-las.

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