Segunda-feira, 22 de Janeiro de 2018
Isabela Morais

Isabela Morais

Isabela Morais é cientista social, formada pela UNESP Araraquara; cantora solo, e também nas bandas Ummagumma - The Brazilian Pink Floyd e Marginália; compositora, gestando seu primeiro álbum; produtora cultural, com o projeto Balaio de Vênus e se arrisca nos rabiscos, nessa coluna e também no blog brisas-da-isa.blogspot.com.br. Sol em Aquário, Ascendente em Peixes e Saturno em Sagitário. Nascida na Trespontas-Doida, sul de minas, onde atualmente reside, entre um vôo e outro. Gosta de música, de gente, de cinema e do mundo. Por vezes otimista de irritar, outras horas mal-humorada que só. Coisa de gente que muda com a lua...

Ontem foi aniversário de Francisco de Paula Vitor. Ariano, de Marte em touro, gente que sabe controlar os nervos e direcionar a energia, no trabalho incessante e contínuo, de Saturno em Câncer, gente que se estrutura no trabalho dos afetos e da memória, de Vênus em Peixes, de paixão e desejo pelo divino, pelo invisível, pelo marginalizado, pelo inascessível, quase um delírio de tanto amor, de Júpiter em Libra, grandioso na gentileza e na diplomacia, generoso e atencioso a necessidade dos outros, focando sempre o lado bom das pessoas, mas de Lua em Escorpião: de mergulhos profundos no veneno, na dor e no oculto, no mistério.

A maior parte das pessoas se lembra de comemorar apenas o dia de sua morte, 23 de setembro de 1905. Uma cidade inteira para para celebrar. Afinal de contas, com essa carta natal, o menino negro destinou-se ao casamento com o divino, ao serviço incansável ao próximo, mesmo num tempo e espaço bastante inóspito para isso, século XIX, no interior das Minas Gerais. 

O menino nascido em 12 de abril de 1827 foi bom de briga; alguém de grandes vitórias ao conseguir se consagrar sacerdote num tempo em que a Igreja Católica ainda era autoridade reguladora do país tanto quanto o próprio (e novíssimo) Estado de Direito, em tempos quem a escravidão ainda vigorava, não apenas no trato e no imaginário, mas na prática. 

Seria muito otimismo dizer que hoje, em que ele faria 189 anos “em pleno século XXI” as coisas estão bem diferentes, benzadeus! Mas não...

Publicado em Sociedade
 |  Quarta, 16 Março 2016 12:00
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 "Recusar a polarização, não aderir a um lado nem ao outro, não é ficar em cima do muro: ao contrário, é posição"

Eliane Brum

"O problema maior não é a ideologia, mas sim o heroísmo"

João Acuio

 

“Esses tempos não 'tão pra ninharia”, diz o verso de uma música que muito me encanta pela força da denúncia. E não consegui nada melhor pra começar a rascunhar algo sobre os dias que temos vivido. Rimaria também com a clássica de Jobim, o Brasil não é pra principiantes. E de fato, não é. Assim como o mundo não é a timeline do Facebook nem as manchetes do JN, embora pareça. Assim como o mundo não são as soluções fáceis sintetizadas nos memes que compartilhamos e curtimos e enviamos vitoriosos no grupos de Whatsapp da família. Não, quem dera as coisas fossem mesmo mais simples. Mas não são.

E neste domingo eu não sei a sua, caro leitor, mas a minha cabeça deu nó. Porque, diferente de muitos, eu não excluí os amigos que têm posições políticas distintas da minha e resolvi ler de coração aberto o que me aparecia. Eu não fui no 13 de março, assim como não irei no dia 18, já que não vejo razões para defender o atual governo e nem o ex-presidente. Mas fiquei realmente intrigada em ouvir as vozes distintas dos que foram às ruas no domingo.

Publicado em Cultura
 |  Quarta, 30 Março 2016 15:30
"e a saudade dele
tá doendo em mim"

 

Nunca se abraçavam. Ele via a barra da saia-de-secretaria passando apressada pela casa: papel-higiênico-nariz escorrendo, roupa-de-cama, frango assado, compras do mês, psicólogo. A voz alta nunca gostou de portas trancadas. Pudesse, invadia o banheiro e mesmo na hora mais íntima, na privada, no cheiro, se imisucuiria por cada poro. Cada cômodo da casa, por sua vez, era uma mistura de presença e ausência, plena. Não como o copo, que vazio está cheio de ar. Mas a superficialidade dos movimentos ativos e penetrantes, nutriam no menino uma cadeia de esperanças de paragens mais demoradas. E quieto, um dia, mesmo à contragosto de seus pulmões, ele foi embora.

Publicado em Mundo
 |  Quarta, 18 Maio 2016 16:00

A morte em cidade do interior é acontecimento.

 

"és um senhor tão bonito,
quanto a cara do meu filho,
tempo, tempo, tempo, tempo."

 

Com o passar do tempo, mesmo que a gente não tenha filhos, acaba testemunhando, às vezes bem de perto, a vida de quem embarca nessa aventura. De uns tempos pra cá, tenho visto e vivido isso cada vez mais. Junto com o bebê, nascem também uma mãe e um pai (na melhor das vezes).

Publicado em Mundo
 |  Terça, 16 Fevereiro 2016 11:34
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Aviso aos navegantes: essa coluna não é apressada. É lerda. Ela tenta remar contra a maré do imediatismo, da urgência dos dias. O que não é regra, porque vez ou outra a gente vai querer falar do que está fresco, do que está por vir, do que talvez nem venha.