Segunda-feira, 22 de Janeiro de 2018
Ronaldo Martins Gomes

Ronaldo Martins Gomes

Gaúcho, Socialista, doutorando e mestre em Educação pela Universidade Federal de São Carlos, bacharel em direito e licenciado em filosofia; professor titular de filosofia e sociologia na rede estadual. Apaixonado pela contracultura e músico amador nas poucas horas vagas.

Currículo Lattes

(...) o indivíduo só se mantém como cidadão no grau em que reconhece os direitos de todos os outros que pertencem a essa mesma comunidade (MEAD, 1934, p. 286)2.


(...) a razão pela qual eu devo ser respeitado é uma razão para que todo o mundo também seja respeitado (THOMPSON, 2006, p. 48)3.


Não resta nenhuma dúvida de que o Brasil vive um momento sui generis, graças as Manifestações ocorridas nos últimos dias. Muito embora, no Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Brasília e várias outras cidades, excessos tenham sido cometidos tanto pelo Estado (a sempre presente violência policial) quanto por alguns membros da sociedade (destruição do patrimônio público e privado). Assim, parece ser necessário desenvolver algumas reflexões sobre os eventos, pois o ganho político das Manifestações não pode ser transformado em agravo à democracia no Brasil.

Publicado em Educação
 |  Quarta, 03 Abril 2013 18:12

Compreendendo democracia pela velha fórmula: demos (povo) + kratos (poder) tem-se que a democracia é o poder do povo, isto é, todo o poder emana do povo que o exerce em seu próprio benefício e interesse. Isso posto, resta definir o que é povo?

Proponho então que por povo se compreenda todo o conjunto de todos os seres vivos em determinado momento e contexto social. Acontece que esses seres humanos não possuem a mesma trajetória existencial, mesmo que ligados por uma identidade única, assim como não possuem a mesma idade, além de muitas outras diferenças, logo, é necessário que se faça uma divisão através de critérios seletivos, o que necessariamente levará uma parte do povo à exclusão da participação. Intencionalmente estou deixando outros fatores fora dessa exposição, por exemplo, alguém pode ter atingidos os critérios necessários, contudo, é tímido(a) demais para se expor em público (...).

 

Considerações sobre uma relação entre ONGs e a educação para a democracia participativa

A construção do sistema político brasileiro, conforme descrita por autores como Raymundo Faoro, Vitor Nunes Leal e Simon Schwartzman, entre vários outros, pode ser compreendida a partir de conceitos como patrimonialismo (Faoro) e neopatrimonialismo (Schwartzman), coronelismo (Leal) e cooptação política (Schwartzman).

Não pretendo discorrer sobre esses conceitos nesse artigo, pois parto do pressuposto que: ou eles são conhecidos por meus eventuais leitores ou então a indicação do autor e do conceito por ele desenvolvido ou aplicado à realidade pátria, será o suficiente para despertar a curiosidade. Dito isso, começo minha considerações.

Heráclito de Éfeso (aprox. 535-475 a. C.) afirmou que o mesmo homem não poderia banhar-se duas vezes no mesmo rio. E isso pelo simples fato de que o homem vive um processo de contínuas transformações, da mesma forma que a água de um rio nunca é a “mesma água” (considerar os ciclos da água), já que se mantém num movimento contínuo, corroborando assim com a outra afirmação heraclitana de que a única coisa constante e que permanece é a mudança (a escola mobilista).