Sexta-feira, 20 de Abril de 2018
Renato Moll

Renato Moll

Acredita que ao comunicar sua perspectiva de transformação, colabora para fomentar posturas equilibradas, trabalhos coletivos, abertos, relações fluidas e harmônicas. Dedica-se para compor redes que estimulem o compartilhamento de conhecimentos, a expressão artística, o engajamento político e as lutas sociais, a permacultura e demais movimentos que trabalhem para reduzir a velocidade das buscas por lucros financeiros a todo custo.

www.renatomoll.com.br

O 10porHora tem o orgulho de apesentar a nova faixa, letra e música, de Higo Melo, cantor brasiliense, membro do grupo de rap Ataque Beliz (Paranoá - DF). Higo, além de demonstrar todo seu engajamento político e consciência através do som, trabalha em colaboração com músicos e público através da divulgação do processo de criação da obra. Em breve, novo disco com suas composições e batidas inspiradoras. Palavras do compositor no face:

"Estou retomando o projeto de meu disco solo. Será um processo lento, pois tenho muito trampo e preciso reestruturar parte das letras, da técnica de gravar, mixar e masterizar. Seria muita cara de pau pedir a grandes camaradas que conheço que me prestassem algum serviço de maneira gratuita, mas peço dicas, informações, indicações ou somente a opinião sincera de quem se interessar pelo trabalho. Quero que seja um trabalho de cooperação e estou disposto a mudar de acordo com as opiniões que me parecerem sensatas."



Para quem (já) não se lembra das manifestações em junho, estimuladas pela luta do Movimento Passe Livre em São Paulo e pela Copa das Confederações em diversas capitais, milhões de pessoas tomaram as  ruas, no Brasil inteiro, afim de exigir seus mínimos direitos, cada vez mais suprimidos, restritos e ausentes, muitas vezes em prol das obras para os megaeventos que batem à porta do país.

Diante disso, o mundialmente famoso ex-jogador de futebol, Pelé gravou um vídeo (abaixo) tentando dissuadir o povo da idéia de revolução, de indignação, de engajamento político, pedindo que as pessoas apoiassem a seleção brasileira e a "futura" Copa do Mundo .

Rosa Parks 1913 - 2005

O Movimento passe livre é fruto da luta popular por um transporte que não esteja submetido a mercantilização. O transporte coletivo, desde quando é pago no Brasil, é alvo de indignação popular e foco de protestos reiterados em cada aumento de tarifas. Na nossa organização como movimento social autônomo, independente, apartidário e horizontal adotamos o lema "Por uma vida sem catracas!" porque entendemos a mobilidade urbana como um lugar estratégico de luta para apostar na construção de um novo mundo. E é no esforço de construir esse novo mundo que nós mulheres do MPL nos auto-organizamos e formamos o bonde das catraqueiras para pautar as outras catracas, que o sistema capitalista extrapola, dessa sociedade patriarcal e racista. Homenageamos a Rosa Parks, uma catraqueira como nós, que em um ato de desobediência civil, incendiou a catraca da sociedade racista, quando se recusou a ceder o seu lugar para um branco no ônibus nos EUA. O movimento que estorou após esse ato de desobediência ficou conhecido como "Boicote aos autocarros de Montgomerry", que foi a recusa em alimentar o mercado de um sistema que produz racismo e pobreza, com o mesmo espírito desobediente do que nós atualmente chamamos de catracaço! O sistema de transportes mercantilizado no Brasil também produz racismo, uma vez que segrega a população pobre e negra do direito à cidade, com especial ênfase para as mulheres negras que representam a parcela mais expropriada da população.

O bonde das catraqueiras celebra os 100 anos da existência de Rosa Parks, catraqueira nascida em 1913 que faleceu em 2005, mesmo ano em que o Movimento Passe Livre ganhou corpo. Nós renascemos em milhares por uma vida sem catracas!

Bonde das catraqueiras
Movimento Passe Livre

Wiki das catraqueiras (sempre) em construção http://catraqueiras.xanta.org/

ilustração por Renato Moll

Texto do companheiro de lutas Alan Shivas, sobre a manifestação da última quinta-feira em Brasília, via Facebook (foto em destaque por Olivier Boels - Etnofoco):

Relato do que vi e do que acho que acho sobre o ato de ontem, 20 de junho


Como várixs compas que tem alguma vivência em militância, ação direta e manifestações, fico o tempo todo num misto de alvoroço, receio e tentativas constantes de analisar tudo o que tá rolando. Tenho um monte de idéias e reflexões na cuca, mas o fato é que reconheço que, pra além das ações do MPL, não consigo ainda ter clareza sobre as demais. Por isso o que posso (e acho que devo) fazer pra ir tentando formular e elaborar, é estar nas ruas todos os dias que houver ato. 

Publicado em Sociedade
 |  Segunda, 07 Janeiro 2013 14:56

Mais de 500 famílias estão ocupadas, desde a última sexta-feira, dia 4 de janeiro, na estrutura de um shopping abandonado há mais de 20 anos, no centro da cidade de Taguatinga, DF. Elas reivindicam o direito básico por moradia digna, após um descumprimento de acordo por parte do Governo do Distrito Federal, resultado do acampamento denominado "Novo Pinheirinho " em outra cidade do DF, Ceilândia, iniciada em abril do ano passado, onde deveriam se beneficiar as 1400 famílias que desocuparam o local.

O prédio, segundo o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), simboliza a tão conhecida especulação imobiliária do DF, que visa aumentar os lucros de grandes empresários da capital, porém não consegue resolver a situação dos trabalhadores que não têm condições de constituir um lar estável, como diz o trecho do manifesto oficial, lançado pelo Movimento: 

Publicado em Cultura
 |  Quarta, 19 Dezembro 2012 12:14

 

Buenos Aires é uma cidade tomada por pinturas. São pixos, bombs, personagens, cores cinzas e coloridos por toda a parte. Foi um prazer deixar naquele lugar um trabalho colaborativo; ser recebido com biscoitos e café pela senhora que nos cedeu o muro (com moldura); assistir ao 1x0 do Brasil na Argentina; ter amigos produzindo e acompanhando de perto madrugada a dentro.

Pintar nas ruas é colocar a arte no lugar mais democrático possível e é uma grande oportunidade de propor, expor ideias. Vale a pena observar não só o que as propagandas falam, mas o que as ruas dizem através da expressão de artistas e demais apaixonadxs ou indignadxs pela vida.